Google assume liderança em valor de mercado e sela parceria histórica com a Apple para transformar a Siri
- Edson Rodrigues

- 13 de jan.
- 4 min de leitura

O mercado de tecnologia foi marcado nesta semana por dois movimentos simbólicos que reforçam, de forma cada vez mais clara, a centralidade da inteligência artificial na disputa entre as grandes big techs. A Alphabet, controladora do Google, atingiu a marca histórica de US$ 4 trilhões em valor de mercado, ultrapassando a Apple, ao mesmo tempo em que anunciou um acordo plurianual com a própria Apple para integrar seus modelos de IA ao ecossistema iOS.
Mais do que um marco financeiro, o movimento sinaliza uma mudança estrutural no jogo competitivo: a inteligência artificial deixou de ser apenas um diferencial tecnológico e passou a ocupar o papel de infraestrutura estratégica para crescimento, eficiência e escala.
A parceria prevê que os modelos Gemini e a infraestrutura de nuvem do Google sirvam de base para a próxima geração dos Apple Foundation Models, que sustentarão os recursos de inteligência artificial da empresa incluindo uma Siri mais personalizada, com lançamento previsto ainda para 2026.
Uma aliança estratégica entre rivais históricos
O acordo encerra meses de especulação sobre os rumos da estratégia de IA da Apple. Em comunicado oficial, a empresa afirmou que, após uma avaliação criteriosa, concluiu que a tecnologia do Google oferece hoje a base mais consistente para escalar seus modelos fundacionais de inteligência artificial.
Na prática, isso representa uma mudança relevante de postura. A Apple, historicamente reconhecida por priorizar desenvolvimento interno e controle rígido do ecossistema, opta agora por acelerar sua agenda de IA apoiando-se em uma infraestrutura já madura, robusta e amplamente testada pelo mercado.
Para o Google, o movimento consolida o Gemini como uma das principais referências da indústria, ampliando sua atuação para além do ecossistema Android e reforçando seu papel como fornecedor estratégico de modelos e infraestrutura de IA, inclusive para empresas que competem com ele em outras frentes.
Esse pragmatismo aponta para uma nova lógica competitiva: em um mercado orientado por velocidade e escala, criar valor passa menos por isolamento tecnológico e mais por ocupar posições-chave dentro dos ecossistemas.
US$ 4 trilhões: o peso da IA no valuation
O anúncio da parceria veio acompanhado de uma reação positiva do mercado. Impulsionada também pelo crescimento de 34% da receita do Google Cloud, a Alphabet tornou-se uma das poucas empresas na história a ultrapassar o patamar de US$ 4 trilhões em valor de mercado, juntando-se a Nvidia, Microsoft e à própria Apple.
Esse marco reforça uma tendência que vem se consolidando nos últimos anos: a inteligência artificial passou a ser um componente direto do valuation das empresas, influenciando expectativas de crescimento, eficiência operacional e geração futura de caixa.
Empresas que dominam dados, infraestrutura, modelos e capacidade de escalar soluções de IA tendem a capturar mais valor ao longo do tempo, não apenas por inovarem mais rápido, mas por criarem barreiras competitivas difíceis de replicar.
Impactos no mundo dos negócios: da tecnologia à estratégia
Para o mundo dos negócios, o acordo entre Apple e Google deixa um recado relevante: IA não deve mais ser tratada como um projeto isolado de inovação, mas como parte da arquitetura central da estratégia empresarial.
Organizações que ainda lidam com IA apenas como pilotos, testes ou iniciativas periféricas correm o risco de perder competitividade estrutural. As big techs demonstram que IA impacta diretamente produtividade, personalização, tomada de decisão e eficiência de custos, de forma integrada.
Outro ponto relevante é a lógica de parcerias. O movimento mostra que colaborações estratégicas bem estruturadas podem gerar mais valor do que a busca por autonomia total, especialmente em contextos onde tempo, escala e maturidade tecnológica são fatores críticos.
Impactos diretos no varejo e na experiência do cliente
No varejo, os reflexos desse movimento tendem a ser profundos. Uma Siri mais contextual, proativa e personalizada antecipa um cenário em que assistentes inteligentes deixam de ser apenas interfaces de comando e passam a atuar como mediadores ativos da jornada de consumo.
Na prática, isso pode se traduzir em experiências como:
recomendações baseadas em histórico real de comportamento,
apoio à decisão no momento da compra,
integração fluida entre canais físicos e digitais,
e experiências cada vez mais invisíveis, porém mais relevantes.
Exemplo prático: imagine um consumidor interagindo com um assistente que compreende seu histórico de compras, preferências, localização e contexto de uso, sendo capaz de sugerir produtos, serviços ou reposições no momento certo, conectando CRM, estoque, logística e comunicação em uma única experiência contínua. Nesse cenário, a tecnologia deixa de ser visível e passa a atuar como orquestradora da experiência.
Para varejistas, o alerta é claro: quem não evoluir em dados, CRM, personalização e automação corre o risco de se tornar apenas fornecedor dentro de ecossistemas controlados por plataformas maiores. A disputa deixa de ser apenas por preço ou sortimento e passa a ser por relevância no momento da decisão.
Analistas também interpretam o acordo como um reconhecimento da posição do Google na atual fase da IA generativa, especialmente após a evolução recente dos modelos Gemini frente a concorrentes diretos.
O que observar a partir de agora
A parceria levanta questões estratégicas relevantes:
Como a Apple equilibrará essa integração com acordos já existentes, como o uso do ChatGPT em determinadas funções?
Até que ponto o Google ampliará sua atuação como provedor de infraestrutura de IA para outros grandes players, inclusive fora do setor de tecnologia?
E como empresas tradicionais irão competir em um mercado onde IA, dados e escala já nascem integrados ao produto e à experiência?
Independentemente dessas respostas, uma coisa parece cada vez mais evidente: a disputa entre Apple e Google entra em uma nova fase, menos orientada por rivalidade simbólica e mais guiada por pragmatismo estratégico em um ambiente onde velocidade, ecossistema e capacidade de execução fazem toda a diferença.
Escrito por:Edson Rodrigues
Especialista em Varejo, Estratégia, CRM e Experiência do Cliente
Fonte:
Forbes Brasil, Exame, Poder360, InvestNews, Business Insider (jan/2026)
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