Pessoas no centro: como o Grupo Casas Bahia redesenhou sua estratégia no varejo
- Edson Rodrigues

- 21 de jan.
- 5 min de leitura
Em meio a um cenário de transformação profunda no varejo brasileiro, o Grupo Casas Bahia vem conduzindo um reposicionamento estratégico que vai além da eficiência operacional e da integração omnicanal. Ao colocar pessoas no centro de sua agenda de negócios, a companhia passou a tratar cultura, diversidade, desenvolvimento de lideranças e inclusão produtiva como pilares estruturantes para um crescimento sustentável. Este artigo analisa como a agenda de gente se tornou parte central da estratégia do Grupo Casas Bahia e por que esse movimento representa uma mudança relevante na forma de pensar competitividade no varejo.
Transformação que começa pela cultura
Quando o Grupo Casas Bahia anunciou, há cerca de dois anos, um amplo plano de transformação, o mercado rapidamente associou a iniciativa a medidas tradicionais: revisão do portfólio de lojas, otimização logística, maior disciplina de capital e avanços na integração entre os canais físico e digital. Essas frentes, de fato, fazem parte do movimento.
No entanto, à medida que o plano avançava, ficou claro que havia uma camada mais profunda orientando as decisões estratégicas da companhia: a convicção de que não existe transformação de negócio sem transformação cultural.
No varejo, onde a experiência do cliente é construída diariamente por milhares de colaboradores nas lojas, centros de distribuição e áreas corporativas, a agenda de pessoas deixou de ser suporte e passou a ocupar posição central na estratégia. A leitura interna foi direta: melhorar processos e resultados exigia, antes de tudo, alinhar comportamentos, mentalidade e liderança.
Gente como estratégia de negócio
Com mais de 70 anos de história, o Grupo Casas Bahia enfrentou o desafio de promover mudanças estruturais sem perder sua identidade varejista. O objetivo não era romper com o passado, mas resgatar atributos que sempre fizeram parte da marca: proximidade com o cliente, visão integrada do negócio e dedicação à execução.
Nesse contexto, a área de gente e gestão passou a atuar de forma transversal, conectando cultura, estratégia e desempenho. A proposta foi ampliar o escopo tradicional de recursos humanos e estruturar iniciativas voltadas à formação de líderes, ao engajamento das equipes e à construção de um ambiente mais colaborativo e inclusivo.
Em um setor historicamente marcado por alta rotatividade, pressão por resultados de curto prazo e desafios de engajamento, essa postura passou a ser tratada não apenas como responsabilidade social, mas como vantagem competitiva.
Diversidade como reflexo do Brasil
Com mais de 31 mil colaboradores distribuídos por todo o país, o Grupo Casas Bahia reflete, em sua base de pessoas, a diversidade da sociedade brasileira. Para muitos profissionais, o varejo representa o primeiro emprego ou uma oportunidade concreta de ascensão social.
Essa característica estrutural moldou a visão da companhia sobre diversidade e inclusão. Mais do que um valor institucional, a diversidade passou a ser entendida como um reflexo natural do negócio e como um ativo estratégico.
Atualmente, 47% dos colaboradores se declaram negros e 43,5% são mulheres. Esse compromisso também avançou sobre os níveis de liderança: 33% dos cargos de gestão são ocupados por mulheres, enquanto 37% das posições de liderança estão sob responsabilidade de pessoas negras, registrando evolução consistente nos últimos anos.
Um diferencial importante dessa agenda é o caráter mensurável das metas. Os objetivos de diversidade foram incorporados aos indicadores estratégicos da companhia e vinculados à remuneração variável dos executivos, reforçando que inclusão e equidade são responsabilidades diretas da alta liderança, e não iniciativas paralelas.
Desenvolvimento interno e mobilidade real
A estratégia de pessoas do Grupo Casas Bahia se sustenta, também, em uma forte aposta no desenvolvimento interno. Histórias de colaboradores que iniciaram suas trajetórias nas lojas e avançaram para posições estratégicas ajudam a materializar essa visão.
Esses movimentos são viabilizados por programas estruturados de desenvolvimento, que têm como foco acelerar carreiras, fortalecer competências de liderança e criar uma cultura de multiplicação interna do conhecimento.
Um dos exemplos é o programa Dona de Si, voltado ao desenvolvimento de mulheres em cargos de gestão. A iniciativa combina formações recorrentes, conteúdos sobre liderança, negociação, identidade e construção de carreira, além de estimular que as participantes atuem como facilitadoras internas.
O efeito é duplo: fortalecimento individual e ampliação de uma rede de apoio que contribui para a sustentabilidade da agenda de diversidade e liderança no longo prazo.
Liderança preparada para conduzir mudanças
Em um contexto de transformação, a formação de lideranças assume papel central. O varejo exige decisões rápidas, clareza de prioridades e capacidade de engajar grandes equipes distribuídas geograficamente.
Ao investir em programas de desenvolvimento e em critérios claros de progressão, o Grupo Casas Bahia busca formar líderes capazes de traduzir a estratégia em prática cotidiana, equilibrando resultado, pessoas e cultura.
Essa abordagem contribui para reduzir ruídos organizacionais, alinhar expectativas e sustentar mudanças ao longo do tempo um dos principais desafios em processos de transformação empresarial.
Para além dos muros da empresa
A agenda de pessoas da companhia não se limita ao ambiente interno. Parcerias com ONGs e instituições têm ampliado iniciativas de inclusão produtiva, com foco na capacitação de jovens e adultos em situação de vulnerabilidade social.
Essas ações dialogam diretamente com a história do Grupo Casas Bahia, tradicionalmente associado à democratização do consumo e à proximidade com as classes populares. Ao investir em capacitação profissional, a empresa contribui para o fortalecimento do ecossistema em que está inserida, ampliando o acesso ao mercado de trabalho e formando uma base de talentos mais preparada.
Do ponto de vista estratégico, essas iniciativas também respondem a desafios estruturais do varejo, como a escassez de mão de obra qualificada e a necessidade de formar profissionais alinhados à cultura organizacional desde o início de suas trajetórias.
Um novo olhar sobre competitividade no varejo
Ao estruturar a agenda de pessoas como diretriz de negócio, o Grupo Casas Bahia envia um recado claro ao mercado: a transformação em curso não se resume a ajustes financeiros ou operacionais. Ela envolve uma revisão profunda de como a empresa se organiza, desenvolve talentos e se conecta com a sociedade.
Em um varejo cada vez mais competitivo, essa abordagem reforça uma tese que ganha força entre executivos e investidores: a capacidade de atrair, desenvolver e reter pessoas em um ambiente diverso, inclusivo e alinhado à estratégia é um dos principais vetores de competitividade no longo prazo.
Transformações consistentes no varejo raramente nascem apenas de tecnologia, preço ou escala. Elas começam pelas pessoas e pela forma como as organizações constroem cultura, liderança e sentido de pertencimento.
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Fonte
Informações divulgadas sobre a estratégia de pessoas, cultura organizacional e desenvolvimento de lideranças do Grupo Casas Bahia, com base em entrevistas e conteúdos institucionais publicados no final de 2025.




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