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Preço não é o problema quando o valor é bem explicado.

  • Foto do escritor: Edson Rodrigues
    Edson Rodrigues
  • há 4 dias
  • 3 min de leitura

Tema: Formação de preço, percepção de valor, margem.


Formação de preço: muito além da matemática


Em muitos negócios, principalmente no varejo e em serviços, existe uma crença silenciosa que aparece sempre que as vendas desaceleram: o problema é o preço. A reação costuma ser imediata descontos, promoções e redução de margem para recuperar volume rapidamente. No entanto, na maioria das vezes, o preço não é o verdadeiro obstáculo para a compra.


A formação de preço é frequentemente tratada apenas como uma conta financeira, baseada em custos, impostos e margem desejada, mas isso representa apenas parte da estratégia.


O cliente não compra cálculos internos da empresa; ele compra percepção, confiança e resultado esperado. Quando o preço é definido apenas pela matemática e não pela proposta de valor, surgem dois riscos comuns: vender barato demais e comprometer margem ou cobrar mais caro sem justificar claramente o motivo.


O que o cliente realmente compra


Na prática, clientes raramente compram apenas produtos. Eles compram segurança na escolha, economia de tempo, confiança na marca, conveniência e a certeza de que terão suporte quando precisarem. É por isso que duas empresas podem vender soluções semelhantes por preços diferentes e ainda assim ambas terem sucesso. O que muda é a forma como o valor é construído e comunicado.


Quando o cliente entende claramente o benefício da solução, o preço deixa de ser o centro da conversa e passa a ser uma consequência natural da experiência entregue.


Percepção de valor: o fator invisível da margem


Um exemplo simples ajuda a ilustrar essa lógica. Imagine duas lojas vendendo produtos semelhantes para construção. A primeira aposta em descontos constantes para atrair fluxo. A segunda mantém preços estáveis, mas investe em orientação técnica, atendimento especializado e facilidade na instalação.


No curto prazo, a loja mais barata pode gerar mais movimento, porém, ao longo do tempo, a segunda tende a construir fidelidade e proteger margem. A diferença não está no produto, mas na percepção de valor. Existe uma ideia que resume bem isso: margem é percepção antes de ser matemática.


Empresas que entram constantemente em guerras de preço geralmente enfrentam um problema de comunicação, não necessariamente de competitividade.


O erro comum: reduzir preço para compensar comunicação fraca


Reduzir preço pode funcionar no curto prazo, mas costuma gerar efeitos perigosos no longo prazo. O cliente passa a esperar descontos constantes, a marca perde posicionamento e a margem começa a ser comprimida, limitando investimentos e crescimento futuro.


Muitas empresas acreditam que precisam vender mais barato quando, na verdade, precisam explicar melhor o valor que já entregam. O desconto vira um atalho para uma comunicação insuficiente e, com o tempo, transforma-se em dependência.


Valor bem explicado gera confiança


Explicar valor não é justificar preço. É mostrar, de forma clara e alinhada com a realidade do cliente, qual problema está sendo resolvido, quais riscos são evitados e quais benefícios tornam aquela escolha mais inteligente no médio e longo prazo.


Quando isso acontece, o cliente muda a forma de comparar opções. Ele deixa de olhar apenas o valor numérico e passa a avaliar resultado, segurança e experiência.


A conversa deixa de ser sobre custo e passa a ser sobre investimento.


Margem saudável é resultado de clareza estratégica


Empresas que conseguem manter margens consistentes normalmente compartilham uma característica: clareza sobre quem atendem, qual problema resolvem e como entregam valor de maneira consistente. Elas não competem apenas por preço; competem por relevância.


E relevância é construída quando o cliente entende claramente o valor antes mesmo de olhar o preço final. Se o cliente só pergunta quanto custa, talvez ele ainda não tenha compreendido o que realmente está comprando e essa é uma responsabilidade da empresa, não do consumidor.


Preço não é inimigo da venda.


O verdadeiro desafio está em construir uma proposta de valor tão evidente que o preço se torne consequência natural da confiança gerada. Quando o valor é bem explicado, a empresa protege suas margens, fortalece sua marca e cresce de forma sustentável.


No fim, preço sempre será um fator na decisão, mas raramente será o principal quando o valor é percebido com clareza.


Edson Rodrigues de Sousa


Compartilha análises e reflexões sobre varejo, experiência do cliente, estratégia e crescimento sustentável no blog Construindo Experiências, conectando gestão, operação e relacionamento para gerar resultados consistentes.


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