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Anta Sports: como a gigante chinesa desafia Nike e Adidas no mercado global de esportes

  • Foto do escritor: Edson Rodrigues
    Edson Rodrigues
  • há 6 dias
  • 4 min de leitura

Durante décadas, o mercado global de artigos esportivos pareceu ter donos claros: Nike e Adidas. Marcas com forte apelo cultural, presença internacional consolidada e capacidade quase imbatível de branding.


Mas enquanto o Ocidente discutia inovação em design, collabs e storytelling, uma empresa chinesa crescia silenciosamente com disciplina estratégica, aquisições inteligentes e foco operacional. Essa empresa é a Anta Sports.


E o que está acontecendo não é apenas crescimento. É uma mudança estrutural no equilíbrio competitivo do setor.


De fabricante regional a conglomerado global


Fundada em 1991, na cidade de Jinjiang (China), a Anta começou como muitas empresas industriais chinesas da década de 1990: produção eficiente, foco doméstico e distribuição regional.


A diferença foi a visão de longo prazo.


Ao invés de tentar competir imediatamente no mercado global com uma marca única, a Anta consolidou sua liderança no mercado chinês hoje um dos maiores mercados consumidores do mundo antes de dar passos internacionais mais agressivos.


Essa base doméstica sólida permitiu algo fundamental: crescer com caixa, e não apenas com narrativa.


A virada estratégica: tornar-se um grupo multimarcas


O ponto de inflexão da Anta foi a decisão de deixar de ser apenas uma marca esportiva chinesa e se tornar um conglomerado global.


A aquisição da Amer Sports foi determinante nesse processo. A Amer reúne marcas altamente posicionadas e respeitadas globalmente, como:


  • Arc’teryx (outdoor premium)

  • Salomon (trail running e esportes de montanha)

  • Wilson (equipamentos esportivos)


Com isso, a Anta não apenas expandiu receita expandiu relevância internacional.


Esse movimento revela uma inteligência estratégica importante:Em vez de tentar construir do zero uma marca premium global (processo caro e demorado), a Anta optou por adquirir marcas já consolidadas e mantê-las com identidade própria.


Isso reduz resistência do consumidor e preserva equity.


A entrada indireta no mercado europeu: o caso Puma


Outro movimento relevante foi a aquisição de participação significativa na Puma.


Mais do que investimento financeiro, trata-se de posicionamento estratégico. Ao se tornar acionista relevante de uma marca europeia tradicional, a Anta amplia sua influência fora da Ásia e se aproxima de mercados onde sua marca própria ainda tem reconhecimento limitado.


É uma estratégia de longo prazo.


Não se trata de dominar a Puma, mas de participar do jogo global em outro nível.


O diferencial estrutural da Anta


Existem três pilares que explicam o avanço da empresa:


1. Força doméstica antes da internacionalização


Muitas empresas tentam crescer globalmente antes de consolidar mercado interno.A Anta fez o inverso.


O mercado chinês é grande o suficiente para sustentar escala industrial, investimento em inovação e margem operacional consistente. Isso deu à empresa musculatura para competir sem depender de capital externo agressivo.


2. Modelo multimarcas com posicionamento claro


Nike e Adidas operam majoritariamente com marca única forte e submarcas estratégicas.


A Anta construiu um portfólio diversificado, com marcas independentes e posicionamentos distintos. Isso permite atuar simultaneamente em:


  • Segmento técnico

  • Performance esportiva

  • Lifestyle

  • Outdoor premium

  • Equipamentos


É quase uma holding de experiências esportivas.


3. Integração entre indústria, distribuição e varejo


A Anta combina:


  • Produção própria

  • Rede de distribuição estruturada

  • Presença física relevante

  • Crescente investimento digital


Esse controle de cadeia aumenta eficiência e reduz vulnerabilidade.


Em um mundo onde supply chain virou fator crítico pós-pandemia, isso é vantagem competitiva real.


Anta x Nike x Adidas: não é apenas uma disputa de marca


O debate não deve ser simplificado como “quem vende mais”.


O ponto central é modelo estratégico.


Nike é uma potência de branding e inovação cultural.Adidas combina herança esportiva com moda e colaborações.


A Anta representa outra lógica:crescimento disciplinado + consolidação de portfólio + força doméstica + aquisições estruturadas.


É uma estratégia menos glamourosa, mas extremamente eficaz.


O impacto geopolítico e econômico


Existe também um pano de fundo macroeconômico relevante.


A ascensão de empresas chinesas globais não acontece isoladamente. Ela está ligada a:


  • Expansão do consumo interno chinês

  • Fortalecimento de cadeias produtivas locais

  • Capacidade de investimento internacional

  • Consolidação de capital asiático em ativos ocidentais


O crescimento da Anta é parte de um movimento maior de reposicionamento econômico global.


E ignorar isso é um erro estratégico.


O que executivos e varejistas brasileiros podem aprender


Aqui está o ponto que mais me interessa como observador de mercado

:

A Anta não cresceu tentando ser “a próxima Nike”.


Ela cresceu sendo estrategicamente coerente.


Algumas lições práticas:


Cresça onde você é forte antes de expandir


Base sólida sustenta expansão sustentável.


Posicionamento claro vale mais que presença global


A Anta preservou identidade das marcas adquiridas.


Aquisição é ferramenta estratégica, não apenas financeira


Comprar marcas pode acelerar décadas de construção de reputação.


Controle operacional importa


Supply chain e distribuição são ativos estratégicos.


O futuro: consolidação ou tensão competitiva?


Ainda é cedo para afirmar se a Anta ultrapassará Nike ou Adidas em escala global.


Mas uma coisa é clara:ela já deixou de ser uma “marca chinesa forte localmente” para se tornar um player global relevante.


O jogo mudou.


E quando o jogo muda, os líderes precisam se reinventar.


No varejo e na indústria, muitas vezes olhamos apenas para as marcas mais visíveis.Mas as transformações reais acontecem na estrutura, na estratégia e na disciplina de execução.


A Anta representa exatamente isso.


Uma empresa que cresceu silenciosamente, estruturou base sólida e agora disputa espaço global sem fazer barulho mas fazendo movimento.

E estratégia de longo prazo sempre vence marketing de curto prazo.


Por: Edson Rodrigues de Sousa

Construindo Experiências, especialista em mercado, varejo e comportamento do consumidor


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